quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sobre Flores e Mulheres

            Ao sol Tulipas alaranjadas suspiram, balbuciando hinos que ecoam sob a robusta pastagem pela face do campo.
            As flores são simples, basta não compará-las umas com as outras por suas diversas cores, tamanhos e perfumes; Vindas da terra; da água. Divinas ou Diabólicas. Sem finalidade existencial ou plantadas especialmente para alguém. Flores são flores e há quem não as queiram bem.
            Braço; Antebraço; Ombro; Pescoço; Queixo; Lábios; Nariz; Olhos; Cabelos. Furando a carne se faz presente a dor do amor que passa, e raramente transpassa para o além.
            A rosa vermelha carne para a amante. A violeta lilás para a dedicada esposa. Uma ao lado da cama regozija exuberantemente, tornam-se carnais seus rijos espinhos que reluzentes clamam para que alguém os toque; Definha e murcha.
 A outra é posta ao banheiro cujo ambiente proporciona maior comodidade, ao vapor revigora-se e é mais que suficiente ser simpática aos visitantes. Mas, com o tempo morte ambas murcharão e as diferenças nada mais farão.
            Pois, o mesmo tempo morte que traz a velhice, tão em pouco tempo mais se apossará da vida do sujeito, que escolhe flores como escolhe mulheres, que compara e utiliza conforme o ambiente.
E sob seu túmulo papas defuntos essas tão honrosas flores definharão, sem lágrima alguma para nutri-las, essas flores apenas são o que são. Será que foram escolhidas? Ou simplesmente jogadas?
            Mas sabemos que seu perfume é o preferido dos vermes que em segundos devoram a carne apodrecida, esses que tão pouco sabem que flores são simples ou de amores que fazem doer a alma; Seu auge é a reprodução.
            Enfim verme comendo verme, sem mulheres, nem flores. Apenas o tempo morte consumando mais uma alma.
            As flores são simples meus queridos, mas as mulheres não.


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